3 de outubro de 2006

Anthony Blunt


Vem isto a proposito do ultimo livro que li no metro, um calhamaço sobre a vida dele. Um dia em Londres fui visitar a livraria do RIBA que estava mesmo ao lado do escritório, e encontrei um mini-livro sobre Roma e o barroco. Foi a primeira vez que o li, e nele estava uma frase que definia este edifício - "Borromini deu à fachada a expressão de uma chapa de aço sob tensão". Depois disto, procurei em tudo o que era canto por mais e mais. Não havia, e mais tarde descobri porquê - o homem tinha sido um espião ao serviço da URSS durante a Segunda Guerra, desmascarado nos anos 80 e visto a reputação afundar tremendamente. Mesmo depois de morto há mais de 20 anos, continua a ser quase impossível encontrar mais coisas do Blunt. Eu não quero saber da vida dele (até quero, porque li a biografia, o tal calhamaço), nem se ele era trafulha, traidor, snob, homossexual e efeminado, mas com um poder de análise assim, uma escrita simples e ao mesmo tempo apaixonada e controlada, pode vir mais - espero.
Entretanto, o próximo que estou a ler é sobre a ligação do Mies aos nazis... por enquanto estou céptico, mas é interessante conhecer a vida da personagem que sempre foi uma muralha de linhas rectas e frases exemplares nos tempos da escola.

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